A CAMINHO DO ESTÁDIO

Os dois amigos estavam felizes: bastava ganhar a partida e o time voltaria à primeira divisão. Trânsito infernal, arredores completamente tomados. Quando enfim o motorista achou uma vaga, foi achado pelo flanelinha.

– Boa tarde. São trinta reais.

– Trinta? Moço, aí já é demais. Posso pagar dez agora e…

– Trinta reais. Se quiser pagar, o preço é esse.

Sentiu um arrepio. A rua é pública, tinha direito de parar ali, mas sabia da intenção do sujeito. Pensou em gritar, xingar, quebrar a cara dele, mas bastaria virar as costas para que o mal acontecesse. Quanto custa um pneu? E um reparo na lataria? Foram-se os trinta reais e com eles boa parte da graça do jogo. A caminho do estádio, o amigo foi cruel:

– Você sabe que foi assaltado, né?

Ele sabia.

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